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Vaccari Neto foi citado por delatores durante investigações da Lava Jato

Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na sede da Polícia Federal, em São Paulo (Foto: Agência Estado )

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto prestou depoimento à Polícia Federal, em São Paulo, nesta quinta-feira (05/02). O mandado de condução coercitiva de Vaccari foi cumprido na nona fase Operação da Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras. Vaccari foi levado à Superintendência, na zona oeste da capital paulista, onde chegou às 9h30 e depôs durante três horas.

Durante a investigação da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, personagem central da operação, apontou o tesoureiro como um dos operadores do esquema de pagamento de propina na diretoria de Serviços da estatal.

Integrantes da força-tarefa da Lava Jato informaram nesta quinta-feira (05/02) que a nova operação deflagrada teve como objetivo coletar provas de desvios ocorridos na Diretoria de Serviços da Petrobras que teria a participação do tesoureiro nacional do PT, Vaccari Neto. Segundo integrantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal há suspeitas de pagamento de propina e lavagem de dinheiro dentro da Petrobras, ocorrido até o ano de 2014.

Segundo a PF, Vaccari é um dos onze operadores de possíveis esquemas que a instituição está investigando. "Os fatos investigados vão até o ano de 2014. Não podemos dizer a data de início do esquema, mas fatos aconteceram até o ano passado", afirmou o procurador federal Carlos Fernando. "A Investigação na BR Distribuidora envolve possível pagamento de comissões para funcionários. A empresa envolvida no esquema com BR Distribuidora é de Santa Catarina e produz tanques", explicou o representante da Polícia Federal, Igor Romário de Paula.

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Delações
Além da delação de Youssef, o petista foi citado também na delação premiada do ex-gerente executivo de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco Filho, homologada pela Justiça Federal no Paraná. Barusco afirmou que fez uma "troca de propinas" com o tesoureiro. Ele contou que possuía um "crédito" da empreiteira Schahin Engenharia, gigante que atua também nas áreas de petróleo e gás, mas estava encontrando dificuldades em receber o dinheiro.

O ex-gerente disse que procurou Vaccari pela boa relação do petista com a Schahin. A diretoria de Serviços da Petrobras, unidade estratégica da estatal, era cota do PT. Por ela passam todos os procedimentos de licitações e contratação da estatal. Por meio da assessoria de imprensa do PT, o tesoureiro nega ter feito troca de propinas.

Durante as investigações, a força-tarefa da Lava Jato relacionou uma suposta entrega de dinheiro para Marice Corrêa de Lima, cunhada do tesoureiro, solicitada por um executivo da empreiteira OAS, com duas movimentações da contabilidade do "money delivery", operado por Youssef.

Na denúncia criminal que ofereceu contra seis executivos do Grupo OAS, em dezembro do ano passado, o Ministério Público Federal considerou como elemento de prova o cruzamento do monitoramento telefônico do doleiro, com José Ricardo Nogueira Breghirolli, com a contabilidade informal de Youssef para indicar o pagamento de valores para Marice, em dezembro de 2013.

"Diálogo travado em 3 de dezembro de 2013, no qual (Youssef e Breghirolli) combinam duas entregas a serem feitas por Youssef. A primeira, no mesmo dia 3, aos cuidados de Sra. Marice, no endereço Rua Doutor Penaforte Mendes, 157, AP 22, Bela Vista", informando que a entrega e a mando de "Carlos Araújo", registra a denúncia.

Em janeiro deste ano, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregue aos investigadores da Lava Jato registrou uma movimentação considerada suspeita em 2009 de R$ 18 milhões envolvendo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligado à CUT, a Bancoop, cooperativa criada pela entidade cujo presidente era o atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e a Planner Corretora de Valores.

Em 23 de novembro de 2009, a Bancoop recebeu R$ 18.158.628,65 do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São Paulo, informou o Coaf, órgão de inteligência do Ministério da Fazenda. "Na mesma data, foram transferidos R$ 18.151.892,51 para a empresa Planner Corretora de Valores", registra o documento enviado à Polícia Federal e anexado ao processo em que foi decretada a prisão preventiva de Nestor Cerveró, ex-diretor de Internacional da Petrobras.

Vaccari afirma que jamais arrecadou propinas para o PT
O tesoureiro do PT João Vaccari Neto afirmou à Polícia Federal nesta quinta feira (05/02) que todas as contribuições obtidas por ele para o partido "foram absolutamente dentro da lei". Sobre a denúncia do delator Pedro Barusco, de que arrecadou até US$ 200 milhões "em propinas" para o partido, Vaccari desmentiu, por meio de seu advogado. "Essa informação não procede", rechaçou com veemência o criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, que defende o tesoureiro do PT.

Em nota que será divulgada ainda na tarde desta quinta feira, 5, Vaccari ressalta que "há muito tempo estava ansioso para se manifestar e prestar os esclarecimentos, corrigindo muitas impropriedades que saíram publicadas pela imprensa de modo geral envolvendo seu nome".
"Essa oportunidade aconteceu hoje", declarou Luiz Flávio Borges D'Urso. "(Vaccari) compareceu na Polícia Federal, prestou todos os esclarecimentos, respondeu todas as perguntas." Segundo o criminalista, Vaccari "esclareceu (à PF), em especial, que enquanto secretário de Finanças do PT jamais recebeu dinheiro em espécie". "O PT não tem caixa 2, o PT não tem conta no exterior", diz o texto divulgado por Vaccari. "Todas as contribuições ao partido, vindas pela Secretaria de Finanças por mim, foram absolutamente dentro da lei."

D'Urso fez uma ressalva sobre o fato de Vaccari ter sido conduzido coercitivamente à PF por ordem judicial. "Entendo desnecessário a condução coercitiva. Bastaria intimar o sr. Vaccari que ele compareceria e prestaria declarações, colaborando com a investigação, aliás, como sempre fez."

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